10 de abril de 2008



01.04.2008

É, quem diria...
que o amor a minha porta bateria.

Eu nem sei porque,
e nem te explicar quando.
Ele chegou devagarzinho,
de mansinho.

E quando dei por mim,
por ele já estava dominado.
E por mais que eu tentasse resistir,
o teu sorriso não deixava eu mentir.

Estava explicito em mim,
que esse amor não se acabaria jamais.

28 de março de 2008

Ao encontrar você eu conheci, o que é felicidade meu amor.


Mesmo quando você não estiver mais presente, eu sentirei a tua presença.
Mesmo que eu não esteja ao seu lado, é por você que o meu coração bate mais acelerado,
e por mais que eu esteja errado, a minha intenção é buscar você.

E não perceber que o último afago durou somente um suspiro.

Parar para pensar que o impossível pode se realizar,
é ter a esperança de que tudo pode mudar.
Mil anos podem tentar nos separar, mas de que adianta a vida,
se não puder ser vivida ao seu lado?

Ah, quem dera eu, poder ter controle sobre o passado,
de fato ele seria mudado.
E é por isso que a vida é tão intensa e cheia de aprendizados,
porque os erros definitivamente não podem ser apagados.

Queria eu ser como Tom Jobim ou Vinicius de Moraes,
para que nos sonetos que eu fizesse,
a perfeição das palavras estivesse.
E das minhas palavras tu não se esquecesse jamais.

Já disse um amigo meu que o amor não se explica, se ama.
Então porque tentar explicar aquilo que não se define?
Seria loucura tentar expressar, mas tudo bem eu sou louco mesmo.

Os apaixonados são loucos, inconsequentes,
sofrem dessa doença que se chama amor.
Moléstia essa da qual nunca vou querer me curar,
porque o que seria da vida se eu não pudesse te amar?

19 de dezembro de 2007

ENTREVISTA ÉDER CHIODETTO


Formado em jornalismo pelo Instituto Metodista de Ensino Superior, São Bernardo do Campo, São Paulo (1992) e pós-graduado na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Foi assistente do fotógrafo Araquém Alcântara (1986-1989) e repórter fotográfico do jornal Folha da Tarde (1991-1994). Trabalhou de 1991 a 2004 no jornal Folha de São Paulo, do qual foi editor assistente, editor adjunto e editor de fotografia (2001-2004). Escreve sobre fotografia para o caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo e para revistas como Fotosite e Vogue. Atua na área de fotografia como autor, crítico e curador de exposições. É membro do Conselho Consultivo de Artes Plásticas do Museu de Arte Moderna de São Paulo e organizador da coleção Foto Portátil, editada pela Cosac&Naify. Foi um dos vencedores do Prêmio Jabuti em 2004 com o livro O lugar do escritor, de sua autoria.


SEGUE A ENTREVISTA ABAIXO


F.R: Há mais de cem anos nos jornais, a fotografia ganhou um grande espaço dentro dos jornais e revistas, para você qual a maior dificuldade em se fazer fotojornalismo atualmente?
E.C: Bom atualmente a grande dificuldade em fazer jornalismo impresso e fotojornalismo é a grande concorrência que a gente tem com espaço publicitário. As empresas, isso mundialmente falando, após o impacto que elas sofreram com a entrada da Internet.
Eu vejo que o jornalismo impresso passa por uma crise muito grande do qual ainda não conseguiu se resolver, e essa crise têm determinado o enxugamento da quantidade do papel, por outro lado usar papel é cada vez menos politicamente correto por causa das questões do meio ambiente e esse xadrez todo acabou reduzindo muito a quantidade de papel e aumentou muito a quantidade de publicidades para poder manter essas publicações. Então o espaço da reportagem no geral e da fotoreportagem em específico ficou muito restrito. Hoje em dia a gente tem que fazer matérias grandes, complexas e às vezes resumir isso tudo em apenas uma foto, o que é bastante difícil para não dizer impossível.

F.R: E pra você qual a maior qualidade que um fotógrafo jornalístico precisa ter?
E.C: Conseguir sair do jornal e ter uma carreira própria rs. Nada desanimador pra quem ta na faculdade. Para o fotojornalista ter carreira própria você diz?

F.R: O que ele precisa ter para se sobressair nesse mercado que creio eu tem crescido bastante.
E.C: Exatamente, justamente por ter crescido pra alguém conseguir aparecer no mercado precisa ter um trabalho bastante original, de qualidade, então os fotojornalistas têm que parar cada vez mais de ter aquela atitude passiva que historicamente eles tiveram na redação de esperar o repórter de texto pautar e ter histórias próprias para contar, porque hoje em dia qualquer amador ta com uma câmera na mão. Está andando pela e o celular fotografa, o brinco fotografa, o chaveiro fotografa. Por exemplo, esse acidente que houve agora, o avião que caiu no bairro da Casa Verde, antes dos repórteres chegarem, todos os vizinhos já tinham filmado no celular. As imagens que a gente viu são todas de celular, tanto filme quanto foto, então hoje em dia o acaso, o acidente, o inesperado ele é sempre de domínio do amador, é o amador que vai fazer e não adianta chegar lá o Sebastião Salgado uma hora depois que a foto dele não vai ser melhor do que a do amador que pegou ali o fogo do avião, as pessoas gritando; e isso para o jornalismo é muito mais importante, não adianta o Salgado chegar lá uma hora depois fazer uma grande foto que não vai ter o calor que tinha a foto do amador. Então essa foto do acidente, do casual; a única coisa que a gente pode fazer é abandonar mesmo essa coisa de ficar correndo atrás das notícias na cidade e contar histórias em profundidade, histórias com uma narrativa, que seja fruto de uma pesquisa e de uma investigação mais demorada e ai sim você contar uma história em longa-metragem, ou seja, eu acho que o caminho do fotojornalista é pensar em ser um fotodocumentarista cada vez mais.
F.R: O papel da fotografia no fotojornalismo é o de transmitir informação. Você acha que existe uma linha tênue entre a informação e o fotojornalismo? Quando ela deve ser publicada ou deletada?
E.C: É ai teria que estudar caso a caso, não dá pra falar de uma forma genérica o que deve ser publicado ou não até porque cada veículo tem um público alvo que vai se chocar com alguma coisa ou vai se chocar com outra, por exemplo, quando existia o Notícias Populares essa modulação era bem mais flexível, o público que comprava ali queria ver sangue, se tivesse um assassinato ele queria ver a foto o mais crua possível que já não é a foto que a gente vai publicar na Folha no estado ou sei lá no New York Times. O limite tênue na verdade existe o tempo todo entre o bom e o mau gosto eu prefiro acreditar, você falou que a função do fotojornalismo é passar informação, é claro que a gente não pode confundir informação com a idéia de uma verdade absoluta sobre os fatos, porque a gente reportando seja em texto, seja em imagem a gente ta sempre fazendo uma interpretação do assunto e toda interpretação ela é passível de cacoetes ideológicos e estéticos que o repórter tem, acho que é por ai.

F.R: Você acha que hoje em dia existe por parte dos jornais e das revistas manipulação de algumas fotos, a gente sabe que hoje em dia com o photoshop é possível fazer tudo, e qual você acha que é o papel do photoshop na fotografia?
E.C: Olha a fotografia em si desde que ela existe desde 1839 quando ela foi inventada, ela é uma linguagem que ela é manipulação pura o tempo todo. Eu diria que não existe uma foto mais verdadeira de uma menos verdadeira, acho que toda a fotografia ela tende a ser uma versão do mundo real, uma interpretação do mundo real e, portanto uma manipulação da idéia de real. Porque se eu faço um retrato teu ai onde você está agora, as pessoas nunca vão ter idéia do que você está fazendo, está no telefone com alguém e ta falando o que? Sobre o que? Não é? As pessoas não vão saber através da foto que temperatura estava ai, os sons que você está ouvindo, ou seja, uma fotografia ela é sempre muito aquém do real e é por isso que o photoshop é apenas uma ferramenta que tornou mais fácil alterar o conteúdo da imagem, mas a imagem ela já tem seu conteúdo alterado desde que ela existe. Quando eu entrei na Folha por exemplo eu fui fazer uma pesquisa nos arquivos de fotos de esporte publicadas ali na década de 60, e sempre teve aquela estigma de que a boa foto de futebol tinha que ter a bola né? E ai eu cansei de ver fotos que tinham uma bola recortada de uma outra foto, recortada assim com tesoura e colada com cola na outra foto, né? Que era um processo onde você não percebia esse volume que essa colagem dava, desde as manipulações mais grosseiras e a gente tem Stálin, no qual ele mandava apagar os desafetos das fotos, essas coisas mais clássicas assim que ai é uma manipulação mais grosseira, mas a gente tem que pensar o tempo todo que a partir do momento que eu ponho uma grande angular, por exemplo, ou uma tela objetiva eu já estou alterando totalmente a perspectiva né, a minha relação entre eu e você que eu estou retratando está toda alterada já. Então a fotografia não carrega o real e a gente tem que se livrar cada vez mais desse conceito, é que justamente no fotojornalismo por a fotografia ser considerada como um documento essa idéia de que ela carrega o real ela é importantíssima para dar veracidade ao que o jornal ta falando, mas é pura balela no fim, porque na verdade o que a gente vê ali é um vestígio do que foi a coisa.

F.R: No mercado brasileiro faltam profissionais qualificados ou dispomos de bons fotógrafos?
E.C: Eu acho que a gente dispõe de muitos veículos desqualificados. Eu acho que o Brasil particularmente é um país que tem fotógrafos muito bons, muito talentosos e não é a toa que a fotografia documental, tanto a documental quanto a artística brasileira ta ganhando mercado fora do Brasil, os nossos principais fotógrafos estão sendo convidados para as principais exposições do mundo, eu acho que o nosso problema não é a qualidade dos fotógrafos não, acho que o nosso problema é realmente o comprometimento dos veículos de imprensa com a questão da publicidade que impossibilita a gente de publicar bem. Agora cada vez mais o espaço está sendo a Internet, os fotógrafos estão fazendo seus blogs, publicando suas reportagens e é ali que eu vejo que a coisa vai acontecer daqui pra frente.

F.R: Você vê alternativa para o fotojornalismo agora com o espaço tão reduzido em função das publicidades?
E.C: Por enquanto não, eu to vendo o fotojornalismo cada vez mais como a prima pobre da publicidade dentro do espaço editorial de jornais e revistas, o espaço que ele tem encontrado é mesmo na Internet.

F.R: Qual é o fotojornalista mais importante nesse momento agora?
E.C: Ai você me colocou em uma má situação risos. Eu vou citar três.
Tem um aqui em São Paulo chamado Maurício Lima, ele é fotógrafo da Agência France Press Brasil, outro que é o Antônio Gaudério que é da Folha de S.Paulo e tem um terceiro que é o André Cypriano que é um brasileiro que mora metade do tempo aqui e metade em NY, ele não está ligado a nenhum veículo, ele faz trabalhos independentes e vende reportagens geralmente publica em livro também.

F.R: Qual o papel da Agência Magnum no fotojornalismo por ela ter pautas livres e independentes?E.C: Ela cria na verdade uma linhagem mais humanística dentro do fotodocumentário, ela é uma agência ícone e que nos últimos anos ela conseguiu se renovar bastante com inclusão de novos fotógrafos como o Antoine Dagata, o Chris Andersen é uma nova geração tem o Alex Majoli também que é um italiano, você está me ouvindo?
F.R: Tô ouvindo, tô ouvindo rs
E.C: Ah ta, alguém ta me ligando aqui ta tocando o telefone, então assim ela é a agência mítica aonde todos os fotodocumentaristas sonham em trabalhar um dia mas agora em paralelo a elas começaram a existir outras agências interessantes como a seven e a vu, outras agências bem interessantes agora no Brasil a gente já teve algumas agências interessantes como a F4 na década de 80 e agora existe um outro coletivo de fotógrafos que é muito legal também e que eu tenho até trabalhado com eles que é a Cia de Foto, que meio que vai por esse caminho também.

F.R: O instante decisivo que foi teorizado pelo Bresson, você acha que ele é o elemento mais importante na fotografia jornalística?
E.C: Acho que hoje não mais, acho que é uma questão importante a coisa do flagrante de conseguir perceber o mundo de uma forma diferenciada, harmônica mas hoje em dia há fotógrafos fazendo trabalhos muito importantes, muito interessantes sem se utilizar desse recurso, acho que não é algo que ta pautando o mundo contemporâneo hoje não.

F.R: Qual que é o tipo de fotografia que mais te interessa dentro do fotojornalismo social, esporte, cultural, policial?
E.C: Quando eu tava fotografando na Folha eu gostava sempre de cobrir mais era cidades e cultura, mas cidades é o que mais me instiga porque é onde você fotografa o humano nas formas mais variadas é onde tem a temperatura da cidade, e é onde se trabalha mais com o acaso e com o inesperado também.

F.R: Qual sua opinião sobre fotógrafos de guerra, até que ponto é válido se arriscar para ter uma foto que vai ser capa de jornais?
E.C: Os caras que optam por essa profissão já tem ali algum DNA meio (risos) esquisito já não é gente muito normal como você por exemplo.
F.R: Como eu, porque eu rs?
E.C: Não porque geralmente assim já e gente que tem um perfil que gosta do inusitado, por exemplo, eu achava o máximo quando chegava no jornal e tinha assim um desfile de moda pra fazer e depois tinha uma enchente na cidade e eu tinha que ir pra favela fazer o barranco com gente soterrada e ai daqui a pouco tava num jogo de futebol, às vezes do seu time então você fica naquela coisa de torcedor e repórter, mas essa coisa da não rotina é algo que estimula muito agora por outro lado cobrir uma guerra você é meio assim o olho do mundo ali dentro, você tem a função social de revelar pro mundo as distorções que estão acontecendo ali os absurdos enfim né, então tem um certo heroísmo nisso também que eu acho que atrai muitas pessoas, agora com certeza é se colocar em risco mesmo, agora isso também é altamente estimulante por um lado. Obviamente que precisa ter um certo grau de loucura para gostar disso.
F.R: E é uma coisa que você nunca aceitaria?
E.C: Depende da guerra, depende do momento, sei lá, quando eu tava na Folha foi quando estourou a Guerra do Iraque e eu tive que escolher um fotógrafo da equipe pra mandar. E ai passei noites assim sem dormir imaginando que eu estava mandando alguém para o pelotão de fuzilamento (risadas), ai escolhi o fotógrafo, foi o Juca Varella e ele já tinha antes de haver a guerra, ele falou: O dia em que houver uma guerra, eu sonho em cobrir uma guerra, não sei o que.
Então eu tive uma grande discussão com toda equipe sobre quem gostaria de ir e quem não gostaria e muitos fotógrafos vieram falar que realmente não gostariam e outros ficaram chateados porque eu escolhi o Juca e não ele, agora assim a minha escolha do Juca não foi assim, eu falei olha: Existe a possibilidade de ir para uma guerra, queria que você conversasse com a sua família que você não me desse à resposta agora, pensasse em dez dias né. Ele disse: Não, não, não, não, não, não, eu vou, eu vou, eu vou. Quer dizer o cara já estava imbuído, e ele foi e fez uma grande cobertura, ficou famoso com isso, fez um livro, fez um belíssimo trabalho, foi reconhecido internacionalmente.
F.R: E não aconteceu nada com ele?
E.C: Não aconteceu nada, graças a Deus (risadas), até ele voltar eu ficava acordado apavorado, o telefone tocava eu tremia, aquelas coisas, porque a gente se sempre responsável pelo cara né? Queira ou não é uma coisa que eu ia carregar para o resto da vida, pô mandei o cara e o cara morreu.

F.R: Dentre os trabalhos que você fez, qual foi o que mais te marcou?
E.C: Olha tem um que foi muito marcante na minha vida que foi a cobertura do impeachment do Collor, eu cobri as passeatas dos cara pintada, você era criança (risadas).
F.R: É, eu era pequeno (mais risadas).
E.C: Mas essa inclusive foi uma cobertura que acabou gerando coisas muito boas na minha carreira, na época eu era repórter da Folha da Tarde, fotógrafo da Folha da Tarde e depois dessa cobertura eu fui promovido para a Folha de S.Paulo. Eu me envolvi mesmo, era uma coisa que eu queria, eu me sentia indo fotografar pra derrubar o governo sabe assim?
F.R: Sei, sei (risos).
E.C: É e de vez em quando você se pega assim em um romantismo e ser o cara que com uma foto vai conseguir mudar a sociedade sabe?
Por isso que eu fico muito puto com esse momento da imprensa em que a reportagem é tão mal cuidada, a fotografia é tão mal dada, você publica sua fotinho ali em duas coluninhas do lado de uma Gisele Bündchen em três colunas, quer dizer não pra concorrer. Mas esse romantismo assim a gente não pode perder nunca porque isso é aquilo que eu falei na aula para vocês lá quando eu falava do Lewis Hine aquela frase dele de: “Eu queria mostrar para o mundo as coisas que tinham que ser modificadas”, quer dizer se a gente perde isso a profissão fica muito chata, daí você vira um escriturário.

12 de novembro de 2007

ENTREVISTA CACO BARCELLOS


No segundo ano de faculdade tive aulas de História do Jornalismo, e como uma das formas de avaliação estava uma entrevista, que eu teria que fazer com alguma personalidade do jornalismo brasileiro. E na hora já me veio a imagem de Caco Barcellos. Havia lido seu livro Rota 66 há pouco tempo e isso me despertou o interesse por saber mais sobre a forma como ele foi escrito entre outras coisas que você vê a seguir na entrevista que fiz com Barcellos.
Pelo fato da entrevista ter sido grande irei dividi-la em algumas partes. Segue também antes da entrevista uma pequena biografia.
Nasceu na periferia de Porto Alegre, na Vila São José do Murialdo, onde desde menino testemunhou a brutalidade policial que ainda domina alguns setores da corporação. Foi taxista e mais uma porção de coisas antes de se tornar repórter. Começou no jornalismo como repórter do jornal Folha da Manhã, do grupo gaúcho Caldas Júnior. Teve atuação destacada nos veículos da imprensa alternativa dos anos 1970. Foi um dos criadores da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre e da antiga revista Versus, que apresentava grandes reportagens sobre a América Latina.
Antes de trabalhar para a
Rede Globo, foi repórter dos maiores jornais do Brasil e das revistas de informação semanal IstoÉ e Veja. Ainda quando trabalhava no jornalismo impresso, no fim dos anos 1970, foi correspondente internacional em Nova Iorque. Também atuou como correspondente, de 2001 a 2004, em Londres e em Paris, para a TV Globo, período em que recebeu por duas vezes o Prêmio de Melhor Correspondente, promovido pelo site Comunique-se. O júri foi formado por 60 mil jornalistas, que fizeram a escolha por meio de voto livre pela internet.
É um dos repórteres mais famosos da
televisão brasileira, com vinte anos de atuação no Globo Repórter e no Jornal Nacional. Durante seis anos apresentou um programa semanal na Globo News. E, em 2006, criou a série dominical Profissão Repórter, onde coordena um grupo de jornalistas em início de carreira.
SEGUE A ENTREVISTA ABAIXO
F.R: Qual foi seu primeiro emprego na área jornalística?
C.B: Primeiro emprego na vida?

F.R: Primeiro emprego na área jornalística.
C.B: Bom eu trabalhava, eu fazia um jornal hippie que a gente vendia de mão em mão, ai um dia um jornalista comprou, um jornalista da cidade onde eu morava, Porto Alegre, comprou o jornal e adorou o jornal gostou muito e convidou os repórteres dessa comunidade hippie pra fazer uma experiência, um estágio no jornal onde ele trabalhava e que estava passando por um processo de reformulação, um jornal conservador que queria ganhar um público jovem então eles estavam com um plano de formar uma equipe nova, ai fui lá junto com meus amigos tal, ficamos e começamos a trabalhar. Jornal chamado Folha da Manhã de Porto Alegre.

F.R: E onde você se formou como jornalista?
C.B: Foi na Puc do Rio Grande do Sul, depois de ter feito quase três anos de Ciências Exatas, eu queria fazer a faculdade de Engenharia, acabei fazendo a faculdade de Matemática por mais de três anos porque as cadeiras eram comuns e eu pretendia mudar para Engenharia, mas ao invés de mudar para Engenharia eu mudei para Jornalismo. Claro que as cadeiras não eram comuns, eu aproveitei apenas meia dúzia delas.

F.R: Mas o que você fez você mudar...
C.B: Foi essa paixão pela reportagem mesmo, quando eu cheguei nesse jornal, já na comunidade hippie eu já tinha me apaixonado pelo trabalho de rua, pela reportagem e adorava escrever também desde criança embora não soubesse escrever e não tivesse nenhuma referência na família de escritor ou jornalista, mas eu gostava de escrever assim por minha conta e aí quando surgiu essa oportunidade de escrever que era uma paixão que eu já tinha e profissionalmente ganhando dinheiro, claro que eu adorei mais ainda.

F.R: Qual que é a sua opinião sobre a faculdade no papel da formação?
C.B: Eu não tenho muita informação pra te passar, eu faço muitas palestras, as pessoas convidam então a informação que eu tenho é essa do retorno das palestras, eu gosto muito da participação dos estudantes nas palestras. Eu tenho uma experiência aqui na Globo também que todo ano abre uma espécie de concurso para você chegar aqui e virar repórter, ano passado foram 9.500 estudantes, eu converso muito com eles e alguns deles passam a trabalhar com a gente. A Nádia uma amiga nossa fez esse curso e agora eu to trabalhando com um grupo seis deles, eu fico impressionado com a capacidade com o preparo das novas gerações, mas evidentemente que eu tenha uma visão meio deformada por conta de que chega aqui na TV Globo um grupo que já passou por uma seleção de 9.000 então fica a fina flor que chega né. Por isso não sei se a avaliação é correta, mas sem dúvida é uma geração muita bem preparada em relação ao que éramos no passado, que a minha geração sem dúvida, pessoas que falam mais de um idioma quando não três idiomas, muitos bem informados sobre os acontecimentos no mundo inteiro e que sabem também mexer em vários veículos ao mesmo tempo, gente que sabe editar, narrar, apresentar, tem jovens que chegam Tv já prontos pra ir pra frente do vídeo, mas repito talvez eu esteja com uma visão de quem está em um veículo que é muito desejado, cobiçado e por isso pode selecionar muito bem, talvez no conjunto essas faculdades não estejam todas indo com profissionais com a devida substância, conteúdo, me parece que há muitas universidades que são apenas caça níquel que querem somente ganhar dinheiro e não formar pessoas como deveriam.

F.R: Qual foi o ano em que você conclui sua faculdade?
C.B: Foi em 1975 que eu me formei, eu já estava trabalhando desde setenta e dois, eu trabalhei fazendo faculdade, estagiando e depois até contratado já, depois de seis meses eu fui contratado. Então eu fiz dois anos de faculdade e trabalho, por isso eu aprendi muito na rua, mais do que na faculdade, até porque meus professores eles facilitavam muito, às vezes eu tinha que viajar, fazer uma reportagem e eles consideravam que a minha reportagem seria a prova do mês.

F.R: Quando foi que você se sentiu jornalista, que você disse: Agora eu sou um jornalista.
C.B: Acho que até hoje eu não me sinto (risos). Eu lembro uma vez que eu cheguei na redação reclamando que não tinha credencial e o pessoal tiro um sarro da minha cara, porque eu levei um pau da polícia, tava na rua lá, cobrindo um racha de boy, sabe esses agroboys que pegam o carro pra virar arma e depois viram instrumento de conquista de mulheres e era a inauguração de um túnel e eu estava lá mostrando tudo aquilo, a polícia chegou prendeu todo mundo e me prendeu junto e ai eu queria que soubessem que eu era jornalista né (risos). Eu lembro que me puseram no camburão, no chiqueirinho do camburão e eu fiquei por baixo e puseram uns dez em cima de mim, puta aquele, (nesse momento ele ia dizer do cheiro) agüentando o peso de todo mundo, não dava pra respirar dentro Meu Deus eu sou repórter porque que eu to aqui apanhando como se fosse... (risos). Mas faz parte, e ai foi à primeira vez que eu, na verdade, eu dei uma bronca na redação nem credencial a gente tinha, mas eu não sei se isso tem a ver com a relação de me sentir que era jornalista talvez tenha sido o momento que eu desejei que fosse visto como, pra não levar uma surra.

F.R: Quais são os pontos que você considera mais importantes na sua carreira?
C.B: Eu gosto muito dessa primeira fase nesse jornal, Folha da Manhã porque a gente estava trabalhando durante a ditadura militar então quase tudo que era matéria representava um desafio porque eu mexia já com violência desde o começo e para denunciar crimes de tortura praticados pelos militares então com alto risco de ser preso, ser torturado. Houve uma vez que os delegados me chamaram porque a minha matéria contava coisas que eles não gostaram, informações que eu tinha obtido meio por baixo do pano e eles me chamaram lá. “Ó ta pensando o que? Não é assim não, se fica fingindo ai que você microônibus e você ta aqui com velocidade de avião, TEM UMA MÁQUINA AQUI EM CIMA QUE SEGURA ESSA VELOCIDADE BEM RAPIDINHO”.
Ameaças mesmo de ser preso, torturado e esse jornal pelo fato de me ensinar a conviver, praticar jornalismo com altos riscos, com altos obstáculos, por exemplo, a gente saia pra rua para apurar uma informação de um seqüestro praticado por eles e nunca conseguia uma informação confirmada ou sequer o nome da vitima, nem era vítima no caso, eram os opositores do regime a gente tinha que a fazer matéria com informações zero das autoridades, e esses jornalistas, os primeiros com quem eu convivi me ensinara esse passo a passo né, a situação de risco, de dificuldade então pra mim né inesquecível. Eu lembro que uma vez eu voltei pra redação e o chefe de reportagem perguntou se tava tudo ok, se tinha dado certo e eu disse: -Não, fracassei.
- Porque que você fracassou?
- Ah porque eu cheguei lá na central de polícia, bati na sala do delegado, dos investigadores, fui pra outra delegacia do lado. Tentei umas dez pessoas.
- Você tentou com dez?
-É.
- Mas quantas pessoas trabalham lá?
- Eu não sei nunca contei, mas dez pessoas você tentou?
- Foi
- E você acha muito? Pelo que eu sei o prédio tem cinco andares com mais de 100 portas cada um, você tem dez e acha que foi um fracasso?
- Pode voltar.

E ai eu lembro que eu bati nos cinco andares, ouvi mais de cem nãos, gente batendo porta, gente empurrando ai quando eu voltei, mais derrotado que antes. Você não acredita, eu fiquei meia hora contando para ele, as derrotas, ai ele me disse: “Agora você tem uma grande matéria, se mais de cem pessoas disseram não, te empurraram, bateram porta, chutaram e tal, fecharam janela, se tudo isso aconteceu; é porque isso tem algo de muito importante que eles querem esconder, se você contar toda essa trajetória você tem uma coisa sensacional ai. Então eu fui lá e escrevi uma página inteira com mil coisas para contar. Esse é um exemplo de coisas que eu aprendi com eles que eu jamais esqueci”.

F.R: Como foi ser jornalista na época da ditadura?
C.B: Todo mundo era ameaçado, alguns mais alguns menos, o meu caso foi acima, uma coisa de pressão na cidade onde eu morava que era Porto Alegre, mas chegou a casos extremos como o do Vladimir Herzog e tem vários ai que foram pegos na época e não parava só na prisão né, a pressão continuava nas redações com os donos que pediam a sua cabeça quando você escrevia coisas que eles não gostavam. Agora eu acho que nessas situações de adversidade você acaba crescendo, você acumula na área artística, na música, grandes obras que foram feitas nesse período, grandes livros escritos e eu acho que o jornalismo acaba tirando disso boas lições, no exercício sobre tudo do jornalismo investigativo. Eu acho que isso te força a desviar das barreiras, dos obstáculos e a entender, por exemplo, que mesmo quando fontes oficiais não falam a sua reportagem pode ser tão boa ou até melhor feita com base única e exclusivamente de fontes não oficiais. Por outro lado pode falar e falar muito e trazer a verdade através de uma maneira mais contundente do que aquela dividida com as autoridades, praticar o jornalismo ignorando a existência da autoridade também pode ser interessante. Nesse caso a gente não ignorava era obrigado a desviar deles para fazer, a pular os muros por força das circunstâncias que era imposta por eles, é nosso dever sempre ouvir todos os lados, mas quando alguns se negam, a gente não pode só por isso desistir.

F.R: Como foi fazer o Rota 66 e o Abusado?
C.B: Quando eu decidi fazer o Rota eu estava em crise na profissão, achava que era um assunto muito grave que precisava ser denunciado de alguma forma, e então eu penso assim se eu continuar vendo episódios assim, aqueles tiroteios seguidos de morte e simplesmente registrar a verdade entre aspas que era divulgada pelo comando da polícia militar não tem sentido trabalhar assim, eu sabia porque a experiência mostrava que bastava você apurar um pouquinho pra desmontar completamente a versão oficial. Eu tinha convicção de que eram mentirosas aquelas versões ou eu faço um livro que prove isso ou um trabalho que prove esta mentira ela é fabricada, é institucional ou eu desisto de trabalhar nessa área pelo menos ou pra outra área do jornalismo porque isso é desmoralizante. O Rota foi pra mim muito importante no plano pessoal meu particular de grande importância pra mim como se fosse assim, meu desafio aqui ou eu provo esse negócio ou eu desisto. Eu acho que eu consegui provar que as versões eram mentirosas então pra mim representou uma realização no plano pessoal e particular agora se teve relevância maior do que essa do plano pessoal o editor evidentemente que tem que dizer, eu acho que ele ajudou, contribuiu para mudar pelo menos a lei, a lei equacionada com a investigação desses crimes, o julgamento desses crimes até então eram julgados pelo fórum especial da polícia militar e não pelo fórum democrático que são o corpo de júri, como acontece quando um civil é envolvido num crime de morte acho que talvez tenha contribuído pra mudança da lei que eu já acho uma coisa muito legal. Mas como eu estava imbuído dessa necessidade de provar e tentei então pela loucura de tentar identificar todo mundo e aí acabou me envolvendo todo esse tempo. Muito também porque eu trabalhava já na televisão e não dispunha de todo o tempo do mundo para me dedicar só ao livro, talvez se fosse só o livro não demorasse sete anos talvez metade claro, mas de qualquer maneira era um desafio grande de identificar todas as pessoas que a polícia matou para poder conhecê-los.

O Abusado já foi uma coisa diferente eu talvez uma coisa incomum que esteja no tema, tema que diz respeito ao cotidiano das pessoas acontece toda hora a todo o momento, mas pouca gente se detém a entender ou fazer um mergulho em uma história para tentar saber porque é que isso está acontecendo. Talvez um terceiro livro que eu poderia fazer é sobre os homicídios ou sobre congestionamento em São Paulo, que diz respeito à vida de todo mundo, mas parece que a gente aceita que isso seja normal que mate todos os dias 4 ou 5 jovens e ninguém pensa porque é que só mata jovem pobre, negro, porque é que não mata os jovem das elites, porque não matam os empresários que as vezes são envolvidos em roubos e fraudes, que causam grandes prejuízos públicos? Porque não matam os banqueiros? É sempre o mesmo segmento social que morre, acho que são perguntas que a gente tem que se fazer em todo o tempo. E no Abusado também eu acho que o tema da droga diz respeito ao cotidiano de todos os segmentos sociais.

14 de setembro de 2007

Fetichismo da Mercadoria


Cercados de conceitos e formas de como devemos viver e agir. Estamos inseridos em uma sociedade capitalista, na qual os valores morais de nada importam. Observamos em nosso cotidiano as disparidades e as mazelas que o povo brasileiro sofre, mas parece que o mesmo não se importa, talvez tenha se acomodado, ou ainda não tenha acordado de seu estado de letargia.
Como debatido em aula, o pobre que mora nas periferias de São Paulo e outras cidades do Brasil deve se comportar como um “bom pobre”. Alheio aos problemas, ele deve apenas trabalhar muito, não se queixar, e evitar andar em lugares onde os ricos passeiam e claro; nunca pensar em empunhar uma arma para cometer crimes.
O modo de produção capitalista e a alta concentração de renda na mão das minorias geram inúmeras problemáticas, complexas de serem resolvidas. As propagandas emitidas em outdoors, banners de estabelecimentos comerciais e todo tipo de mídia comercial impõe as pessoas padrões de beleza e moda, padrões que a maioria da população não pode ter, fomentando o desejo de algo que nunca estará ao seu alcance.
A desumanização do homem, fruto das extensas jornadas de trabalho ao qual nos submetemos, já mostrado por Chaplin no filme “Tempos Modernos”, é explicado também em Adorno no qual dentro da indústria cultural, todos somos objetos de trabalho e de consumo, pois na ânsia de obter o “padrão” que não temos, aprofundamo-nos em nosso labor, no intento de algum dia “ter” aquilo que tanto queremos dando cada vez mais espaço ao individualismo.

10 de setembro de 2007

Tropa de Elite


Usado pelo BOPE (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) do Rio de Janeiro o Caveirão foi desenvolvido como um carro militar e é usado no combate ao tráfico que cerca os morros e comunidades carentes do Rio.
Conhecido pelas frases que são emitidas de dentro do veículo como: " Se você deve, eu vou pegar a sua alma", possui em sua lateral o símbolo do BOPE que se constitui de uma caveira empalada numa espada sobre duas pistolas douradas. A polícia que deveria ser a instituição que cuida da integridade e segurança da população é motivo de medo e pânico.
Sem fazer distinções entre moradores e traficantes, o BOPE tem praticado um genocídio, sempre sobre a égide do combate, e ao contrário do que afirmam os policiais, os corpos das pessoas mortas apresentam provas de execuções sumárias como tiros no peito e nuca.
O Brasil vive hoje um momento em que a violência se banalizou, estamos acostumados a assistir ao JN (Jornal Nacional) e ver imagens de pessoas mortas, tiroteios e guerras, a violência virou sinônimo de ibope, a desgraça alheia é hoje uma das formas de se conseguir dinheiro.
E o mais triste é saber que medidas como as usadas pelo BOPE só contribuem para o aumento da violência e uma maior afinidade por parte dos moradores do morro pelos traficantes. Porque é fato que os traficantes não matam ninguém, a não ser que seja um dedo duro, pelo contrário, muitos oferecem aquelas pessoas esquecidas e marginalizadas o que o Estado não oferece como proteção, dinheiro para compra de remédios e outros serviços.
O tráfico é uma das maiores fontes de dinheiro do país e continua a ser sustentado por policiais corruptos e a população que vive numa realidade paralela, que não move um músculo se quer em prol de melhores condições para um povo tão sofrido como esse que vive nas favelas, e é claro faz isso porque essa REALIDADE aqui detectada está longe deles, mas eu digo o contrário, ela está bem ao lado, como pode ser visto nos edifícios de luxo do Recreio dos Bandeirantes e ao lado separados por uma avenida os morros.
Mais importante ainda é salientar como é dito pelo Chefe da Polícia do Rio, Hélio Luz em circunstância do documentário de João Moreira Salles "Notícias de uma Guerra Particular" quando afirma que o tráfico é sustentado também por nós, quando oferecemos uma propina ao policial para não tomar uma multa, ou qualquer outro tipo de suborno. A conversa de que a malandragem está embutida no DNA do brasileiro não passa de conversa furada, ou melhor conversa pra boi dormir. É preciso sim lutar por uma sociedade melhor livre de preconceitos e que busque acima de tudo a justiça.
A vida é um dom e ninguém tem o direito de tira-la, seja policial ou traficante, a lei serve para que aqueles que a desafiaram sejam devidamente punidos.
Previsto para estrear em Setembro de 2007, o filme "Tropa de Elite" de José Padilha mostra o despreparo e a violência usada pelo BOPE, sendo que no Rio de Janeiro já pode ser comprado em camelôs por apenas R$ 10,00 devido vazamento do material.
Pude assistir alguns trechos do filme e é bom para se pensar, as cenas são violentas, quem não gosta é aconselhável não assistir, porém as vezes é sempre bom uma boa dose de REALIDADE.

28 de junho de 2007

Blood Diamond


O quanto a vida representa a você, pode a vida de um homem valer mais do que um diamante?

Um diamante custa o braço de um ser humano?

Milhares de pessoas morreram e foram mutiladas na guerra civil em Serra Leoa. Uma das fontes de dinheiro para abastecer o poderio bélico da FRU (Frente Revolucionária Unida) criada por Foday Sankoh foi a extração e venda dos diamantes de conflito.

Ex-cabo do exército; Sankoh usou da mutilação, sequestro e estupro de civis inocentes, sua marca registrada para coibir a população.

A ironia é que Foday quis derrubar a ditadura atual para implantar uma nova, tendo como maior aliado a violência e repressão por parte daqueles que se opunham a FRU.